quinta-feira, 5 de junho de 2008

Relação entre Mito de Sisifo, o Aborto e o Suicídio

Nessa aula continuou a discussão sobre o aborto e o suicídio, mas dessa vez abordando a relação que tem com o mito de Sisifo.






  • Sisifo: crença, persistência e não-desistência da vida.
  • Aborto, Suicídio: desistência.
  • Aquele que desiste de ser útil para o outro, age com desonestidade.
  • O mito é uma metáfora intelectual.
  • Não crer na capacidade do ser humano aprender e desaprender e reaprender.
  • Se a vida não pulsar mais causa baixa auto-estima e a procura por subterfugios para fugir da realidade.
  • O aborto é um suicídio metafórico, é privar aquela vida da opção de querer ou não viver.
  • Grão: Sisifo - morrer para germinar.
  • Páscoa: morte e ressureição. Devemos morrer em algumas coisas para brilharmos em outras. Morrer para o novo nascer = metáfora.
  • Como rolar a pedra para sair do sepulcro?
  • Suicídio: abismo; desconhecido; sem fim; vazio.
  • Não saber lidar com o vazio, nem com o tempo. Silêncio do abismo - salto da vida - autoanálise, possibilidade de se reecontrar consigo mesma.

No debate, uma aluna levou a revista Época do mês de fevereiro que continha uma reportagem sobre o incentivo ao suicidio na internet. Eu já havia lido aquela reportagem. É realmente chocante ver que além das pessoas que querem cometer o suicidio, tem diabinhos incentivando. Eles nao tiram sua própria vida, mas incentivam quem está no fundo do posso a cometê-lo. Essa aluna leu uma parte da reportagem que fala sobre Filosofia e o Suicidio - o que disseram grandes pensadores sobre o ato de tirar a própria vida, que está relacionado ao mito de Sisifo:


"Para o autor de O Mito de Sísifo, Albert Camus, o suicídio é a única questão filosófica essencial. Sua conclusão é que matar-se é negar a liberdade
Pelo menos desde a Grécia Antiga os grandes pensadores examinam o fenômeno do suicídio. Sócrates, condenado a cometer suicídio por um tribunal de Atenas, consolou seus seguidores dizendo não saber o que o esperava na morte, por isso não era possível dizer se sua sentença era uma desgraça ou uma benesse. Mas em um dos diálogos de Platão, Fedro, Sócrates condena o suicídio voluntário. Diz que não temos o direito de libertar a alma de um posto (o corpo) em que os deuses a colocaram. O pensador cristão Tomás de Aquino enumera três argumentos contra o suicídio: ele é contrário ao amor-próprio, um estado natural; é uma afronta à sociedade, da qual o indivíduo faz parte; e é uma afronta a Deus, que dá a vida e tem o direito de determinar quando ela termina.No século XVI, o ensaísta francês Montaigne cita trechos de filósofos antigos que aprovam o suicídio. “Nenhum mal atingirá quem na existência compreendeu que a privação da vida não é um mal.” A interpretação mais comum, porém, é que Montaigne ataca o medo da morte, que escraviza as pessoas, mas não chega a defender o suicídio.São os iluministas do século XVIII que mudam o foco da questão. Ali nascia uma filosofia de valorização da liberdade, e vários pensadores, como o escocês David Hume, consideraram o suicídio uma opção individual. Na virada para o século XIX, o movimento romântico se apropria do tema. Um livro do alemão Johann von Goethe, sobre um jovem (Werther) que se mata ao concluir que jamais conquistaria seu amor, supostamente levou a uma onda de suicídios no país. A melancolia inaugurada na França pelo poeta Charles Baudelaire foi apelidada de “mal do século” e teria provocado, também, suicídios. O filósofo Arthur Schopenhauer comparou o suicídio, para alguém que sentia dor intensa, a acordar de um pesadelo.Foi nessa época que surgiu uma nova visão. O trabalho de sociólogos como Émile Durkheim mostrou que a alienação e a falta de propósito ligadas à vida moderna incentivariam o suicídio. E o estabelecimento da psiquiatria como uma disciplina independente jogou luz em fenômenos como a melancolia, a histeria e a depressão. Cerca de 90% dos suicídios estão relacionados a problemas psiquiátricos, segundo alguns estudos. A partir daí, o suicídio passou a ser visto como fruto de uma condição psicológica e social, não mais como resultado da vontade livre de um indivíduo.Mesmo entre os filósofos que dão ênfase ao individualismo, o suicídio ganhou forte oposição. O inglês John Stuart Mill, no século XIX, dizia que a condição essencial para a liberdade era a capacidade do indivíduo de fazer escolhas, e o suicídio acaba com a possibilidade de escolhas futuras. Já no século XX, o escritor existencialista Albert Camus tratou o suicídio como “o único tema filosófico realmente sério”, no livro O Mito de Sísifo. Sísifo é um personagem da mitologia grega condenado a levar uma pedra para o alto de um morro. Toda vez que ele chega ao cume, a pedra rola para baixo de novo, e ele deve recomeçar a tarefa do zero. Camus compara essa tarefa aos sofrimentos da vida. Mas sua interpretação inovadora é que a vida não é o cumprimento de um objetivo, e sim o processo. Sísifo, para Camus, não é um condenado infeliz. É um vitorioso, realizado na concentração de sua mente e no suor proveniente de seu esforço. Para Camus, o suicídio é a negação da liberdade."
David Cohen e Dagomir Marquezi (Fonte: http://www.epoca.com.br)

Essa reportagem acaba resumindo tudo o que foi debatido, e com base nos nossos maiores pensadores.


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